Canetas emagrecedoras ilegais vendidas no Brasil contêm substância ainda em fase de testes
Reportagem do Fantástico acompanhou apreensões na fronteira com o Paraguai e encontrou versões de retatrutida molécula experimental à venda em farmácias. Receita Federal já interceptou mais de 158 mil unidades.
As canetas emagrecedoras ilegais se tornaram um dos principais produtos contrabandeados para o Brasil. Em poucos meses, elas passaram a ocupar o segundo lugar entre as apreensões da Receita Federal na Alfândega de Foz do Iguaçu, atrás apenas dos smartphones.
Uma reportagem do Fantástico acompanhou operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-277 e flagrou brasileiros voltando do Paraguai com os medicamentos escondidos no corpo, em mochilas e até colados com fita adesiva ao cóccix.
Substância experimental
Entre os produtos encontrados, a equipe identificou versões da retatrutida, uma molécula experimental que ainda está em fase de testes e não tem registro sanitário aprovado para uso humano em nenhum lugar do mundo. A substância age em três receptores hormonais ao mesmo tempo, enquanto as canetas atualmente disponíveis no mercado atuam em apenas um ou dois.
Riscos à saúde
Especialistas alertam que não há garantia sobre a composição nem sobre a segurança desses produtos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já proibiu a venda de duas marcas de canetas emagrecedoras sem registro no país. Em janeiro deste ano, uma mulher de 42 anos ficou internada em estado grave após aplicar, sem prescrição médica, uma caneta contrabandeada do Paraguai.
A Anvisa também rebateu estudos da Unicamp que apontavam equivalência entre canetas paraguaias e o Mounjaro (tirzepatida). Segundo a agência, os testes feitos pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da universidade não avaliaram impurezas, contaminantes, degradação do produto, esterilidade, presença de metais pesados nem biodisponibilidade — o dado mais relevante para afirmar que um medicamento funciona da mesma forma que outro.
Apreensões recorde
A Receita Federal já apreendeu mais de 158 mil unidades desses medicamentos ilegais e interceptou uma tonelada de produtos enviados diretamente da China.
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